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Vista da violência simbólica: estigma e infantilização e suas implicações na participação social das pessoas idosas:

  • Foto do escritor: verticeescuta
    verticeescuta
  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

Este ensaio discute como uma abordagem inadequada à pessoa idosa pode afetar sua autonomia e, por consequência, sua participação social. Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, cuja discussão se desenvolve a partir dos seguintes enfoques: o significado do envelhecimento para a pessoa idosa e para a sociedade; estigmas; preconceitos; e infantilização e sua interferência nos modos de participação social da pessoa idosa. Conclui-se que esses aspectos influenciam a qualidade do processo de envelhecimento.



O envelhecimento é um processo natural, complexo e multidimensional, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais.


No entanto, a sociedade frequentemente associa a velhice à fragilidade, dependência e improdutividade, criando estigmas que afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas idosas.


Essas visões negativas alimentam o chamado idadismo (ou ageísmo), um preconceito baseado na idade. Muitas vezes, ele se manifesta de forma sutil, por meio da supervalorização da juventude, da desvalorização das capacidades dos idosos e até de expressões aparentemente positivas, como “melhor idade”, que podem reforçar estereótipos sobre o envelhecimento.


Um dos efeitos mais preocupantes desse preconceito é a violência simbólica, conceito desenvolvido por Pierre Bourdieu para descrever formas de dominação sutis, naturalizadas e frequentemente invisíveis. No contexto da velhice, essa violência aparece quando a pessoa idosa é tratada como incapaz de tomar decisões, tem sua autonomia reduzida ou é infantilizada sob o argumento de proteção e cuidado.


A infantilização é uma das manifestações mais comuns desse fenômeno. Ela ocorre quando familiares, cuidadores ou profissionais utilizam diminutivos excessivos, chamam idosos de “vovô” ou “vovó”, falam com eles como se fossem crianças ou tomam decisões sem consultar sua opinião. Embora muitas dessas atitudes sejam motivadas por afeto ou preocupação, elas podem transmitir a mensagem de que a pessoa perdeu sua capacidade de escolha e autodeterminação.


As consequências são significativas. A repetição dessas práticas pode levar à perda de autonomia, ao aumento da dependência emocional, ao isolamento social e à redução da autoestima. Além disso, quando a sociedade reforça constantemente a ideia de que envelhecer significa tornar-se um peso ou alguém sem utilidade, muitos idosos acabam internalizando essa visão negativa sobre si mesmos.


Por outro lado, pesquisas mostram que a participação em atividades sociais, culturais, comunitárias e familiares fortalece a autonomia, amplia os vínculos sociais e melhora a qualidade de vida. A convivência entre diferentes gerações também contribui para a troca de experiências e para a construção de relações mais respeitosas e inclusivas.


Conclusão


Combater a violência simbólica contra as pessoas idosas exige uma mudança de olhar sobre o envelhecimento. É fundamental reconhecer as capacidades, experiências e contribuições desse grupo, evitando atitudes paternalistas e infantilizantes. Promover autonomia, respeito e participação social não é apenas uma questão de cuidado, mas também de garantia de direitos e de valorização da dignidade humana em todas as fases da vida.


Fonte: Dutra, B. S. G.; Carvalho, C. R. A. Violência simbólica: estigma e infantilização e suas implicações na participação social das pessoas idosas (2021).


 
 
 

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